quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sobre duas rodas



Família venâncio-airense pratica ciclismo e aventura como programa de final de semana

Cristiane Lautert Soares

Nos finais de semana, o administrador de empresas Valmir Luis Schneider, 40, deixa o escritório e os compromissos para se dedicar, junto à família, a corridas de aventura. Ele integra a equipe Papaventuras, ao lado da esposa, Rosemeri Muller, 43; e da filha, Larissa, 12. Juntos, eles participam de competições realizadas em lugares remotos, quase sempre inexplorados, e aproveitam para conhecer vários lugares do Brasil – viajando e correndo. A modalidade: ciclismo. Para a navegação: mapa e bússola. Na bagagem: equipamentos, alimentos e espírito aventureiro.

                                                                                                                                                                                                 Fotos: arquivo/Valmir Schneider
Família viaja pelo Brasil para competir em corridas de aventura

As equipes das corridas de aventura são compostas por quatro integrantes – ao menos uma mulher –, mas duos e trios podem competir. A Papaventuras também corre com atletas convidados. “É muito difícil encontrar quatro pessoas com os mesmos objetivos, focadas em treinar, além, é claro, das condições financeiras, pois não possuímos patrocínio e as viagens sempre exigem gastos”, conta Valmir.

O administrador começou a participar de corridas de aventura em 2003, incentivado por Rosemeri, professora de educação física. Antes disso, praticava rallys humanos, que aconteciam em Venâncio Aires – onde mora. Ele encara o esporte como hobby de final de semana, e se considera um caso à parte. “Normalmente os corredores migram de algum outro esporte para a corrida de aventura – seja do triathlon, do ciclismo, do remo –, mas eu migrei do sedentarismo completo. Gostava de festas e adorava uma cervejinha com a galera”.

A “migração” de Valmir rendeu resultados. Para ele, o condicionamento físico e a resistência cardiorrespiratória obtiveram melhoras significativas graças à atividade física – sem impacto – proporcionada pelo ciclismo. O administrador aventureiro destaca outros aspectos, além dos benefícios à saúde: “A possibilidade de locomoção sem poluir e de visualizar de forma detalhada os locais por onde se pedala, todas as belezas naturais do interior”.

Larissa já segue os passos dos pais: ela foi apoio da equipe Papaventuras na Ecomotion/Pro 2012, prova realizada na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. A adolescente recebeu o Troféu Inspiração pela destreza e entusiasmo com que desempenhou as tarefas de apoio. Para ela, é divertido participar das corridas com a família e o lugar pouco importa: “O importante é estar correndo”. Larissa pretende continuar praticando corridas de aventura quando for adulta. “Traz bem-estar, um preparo físico muito bom. Agora que comecei, me apaixonei”.

Larissa, 12, ganhou o Troféu Inspiração, na Ecomotion/Pro 2012, em Goiás

Orgulhosa da filha, Rosemeri revela que as corridas de aventura serviram para estreitar os laços familiares. “Como usamos esse esporte como hobby de final de semana, acabamos fazendo programas em família sempre”, diz. Para ela, além de proporcionar uma vida saudável, o esporte oportuniza conhecer lugares e pessoas maravilhosas. “Nós, hoje, podemos viajar por todos os estados do Brasil sem precisar gastar nada com hospedagem, pois em cada canto temos algum amigo corredor de aventura que se sente honrado em nos receber. Isso não tem preço. Só o esporte proporciona uma relação de amizade tão ampla”. 

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Publicado originalmente no jornal-laboratório Unicom, do Curso de Comunicação Social da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Dezembro/2012.

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