quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Prevenção e Cinema – 360 e A idade da pedra

Fruto da parceria entre a Cia. Afro-Cena e a Back Produções – o projeto de prevenção às drogas para crianças e adolescentes teve início em 2008, com o média-metragem 360. O filme, de 27 minutos de duração, aborda o círculo vicioso das drogas. No elenco, somente atores negros, integrantes da Companhia – 11 ao total. Com o 360, o diretor e roteirista Sérgio Rosa e o produtor Maico Back começaram a realizar sessões comentadas em escolas, congressos, fóruns, instituições, clínicas e hospitais. As sessões consistiam na exibição do filme seguida de um bate-papo, dirigido pelos dois. O projeto 360 teve duração de dois anos.

A idade da pedra - o mundo do crack na tela

A parceria rendeu outros resultados. Em 2010, foi lançado o longa-metragem A idade da pedra. Gravado com apenas uma câmera filmadora, o filme, de 102 minutos de duração, apresenta as diferentes formas pelas quais a sociedade percebe e é atingida pelo mundo das drogas – a ênfase é no crack. Mais de 180 pessoas, oriundas de várias cidades do Rio Grande do Sul, fizeram parte da produção.

Com os dois filmes, durante quatro anos, 107 escolas públicas e privadas dos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro receberam as sessões comentadas. Sérgio estima que mais de 23 mil pessoas tenham sido atingidas diretamente, em 231 sessões.

Como toda produção independente, a questão financeira, a dificuldade para encontrar locações e a falta de equipamentos foram alguns dos obstáculos enfrentados pelos idealizadores para a realização dos filmes. “O elenco era formado por profissionais de diversas áreas, gravávamos de madrugada, no domingo de manhã. Médicos cediam consultórios para as gravações, advogados cediam escritórios, outras pessoas cediam carros para que conseguíssemos fazer o filme”, conta Sérgio.

Com o intuito de completar a trilogia, a Cia Afro-Cena pretende fazer outro filme, no qual as deixas de A idade da Pedra terão sequência. “Abordaremos a realidade do usuário e tudo o que ele se propõe a fazer para comprar a droga”, antecipa o diretor. Para Sérgio, devido à repercussão de 360 e A idade da pedra, a próxima produção tem de surpreender. “Tem que ser profissional; melhor do que as anteriores”.

Embora o cinema seja a ferramenta escolhida para a conscientização sobre a realidade das drogas, Sérgio esclarece que os filmes são mecanismos para propagar a mensagem. “Nós não somos cineastas, trabalhamos com a prevenção”.

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