sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Amanhã eu começo


Escreverei o livro "A arte de procrastinar". Vou começá-lo amanhã.

Enrola o que pode. Calcula o tempo que será gasto na tarefa e o tempo que ainda resta: ainda dá tempo de não fazer.
- Amanhã eu começo.
O regime.
A pesquisa.
A organização do quarto.
O regime (sai pra lá, fixação).
Whatever.
Quem procrastina adia um problema, mas não adia a preocupação. O procrastinador tem peso na consciência: sabe que é melhor aproveitar o agora, mas tem certeza de que deveria fazer o que tem de ser feito de uma vez por todas. Alivia o sentimento de culpa gratificando-se com pequenos prazeres. Troca a obrigação pelo divertimento.
- Nunca mais assisti a um filme à tarde. Faço isso, hoje, e, amanhã, começo a escrever. Dá tempo.
E corre e faz pipoca e chama o amigo e posta foto da pipoca no Instagram.
Assiste à Sessão da Tarde com o sentimento de culpa deitado numa almofada em seu colo.
- Está tudo sob controle - diz a si mesmo.
Na tentativa de sentir-se útil, deixa de lado os pequenos prazeres. Começa a riscar, da lista de procrastinação, as tarefas menos importantes:
Trocar as cordas do violão.
Lavar os discos de vinil.
Organizar a gaveta (uma só, que é para não cansar).
Ainda assim sofre. E sofre por livre e espontânea vontade. Em vez de matar um leão por dia, deixa para enfrentar dois ou três, de uma só vez. Sabe-se lá quando. Há leões que parecem grandes demais para o procrastinador matar em plenas férias, com todo esse sol.
Se conselho fosse bom (e se viesse de alguém que não procrastina - o que não é o caso de quem vos escreve), seria mais ou menos assim:
Descabele a juba do leão! Se é preciso enfrentá-lo, que a provocação seja bem feita! Não adianta esperar na moita: o leão não vai embora. Mate o bicho de uma vez.
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Nota da autora: amo leões, ok? Os de verdade e não os que deixo para matar depois.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Entrevista com Elenor José Schneider

Sim, querido leitor, estou te pegando pelos cabelos colarinho e dizendo:
- Excluo o blog se a entrevista com o professor Elenor José Schneider, abaixo, não for boa.

É preciso esclarecer: o programa foi desenvolvido para a disciplina de Produção em Radiojornalismo II (Unisc), sob orientação da professora Veridiana Pivetta de Mello, no 2º semestre de 2012.  Então, queridões, nada de analisar o desempenho dos alunos, ok? Estávamos aprendendo a lidar com um conjunto de fatores estressantes: a pressão, os microfones, a g-g-g-ga-gagueira, o cara da técnica, o "não pode errar". Portanto, foquem no que o mestre tem a dizer, para que eu não tenha que excluir o blog. Obrigada. De nada.

Fica o registro (e tem muuuito mais):
"Uma boa aula só existe quando há um professor que quer dar uma boa aula 
e quando há alunos que querem participar dessa aula".
"Os poetas são capazes de fazer sínteses que a gente é incapaz de fazer".

Ficha técnica:
Apresentação: Juliana Bencke e Josiane Goetze
Edição: Cristiane Lautert e Letícia Wacholz
Técnica: Gabriel Steindorff
Trilha do poema: Devendra's Butterfly, de Guilherme Zapata

Caso não toque, clica aqui: Entrevista com Elenor Schneider 

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