quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O dia em que um cachorro me entendeu

Vários acontecimentos marcaram minha vida ao longo dos meus "vinte e poucos anos". Vivenciei muitos momentos alegres, mas também sofri perdas irreparáveis e tristezas profundas. Foi num desses dias em que a tristeza não cabia no peito, que saí sem rumo para aliviar a dor. Fui até a bela Lagoa Armênia, sentei-me em um banco e chorei olhando para aquelas águas. Mergulhada em meus pensamentos, percebi que não estava sozinha. Ao meu lado, sentado, como se entendesse toda a tristeza que eu sentia, um cachorro. Arrastou-se, devagarinho, e deitou-se, apoiando sua cabeça em meus pés. Baita folgado, aquele cusco! (Muito) Original que sou, batizei-o de Amarelo - um novo amigo sempre precisa de um nome ou apelido. Lá ficamos, fazendo companhia um ao outro. Era disso que precisávamos.

A história não acabou nesse dia. Tempos depois, eu e alguns amigos nos reunimos na Lagoa Armênia – era Natal Açoriano. Estávamos sentados em um banco, olhando o movimento, e quem chega "na maior"? O Amarelo! Ele mesmo! Poliglota que sou, conversei um pouco com ele, que sentou-se, apoiando novamente a cabeça em meus pés. "É absolutamente improvável que isso esteja acontecendo!" - pensei. Mas aconteceu. Lá estava o danado, dessa vez, não compartilhando minha tristeza, mas a companhia dos meus amigos. Era disso que precisávamos!

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