sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fumo e polêmica

Fumantes viram estatística. Propagandas de cigarro são proibidas na mídia. Campanhas antitabagistas são veiculadas em peso. De um lado, leis restritivas quanto ao uso do cigarro em lugares públicos, e de outro, o direito individual. O impasse está formado. Uma guerra silenciosa entre a saúde e o vício, a opção e a passividade; o bom senso e a falta dele. Todos sabem dos malefícios do fumo: um suicídio à prestação. “E quem tem pressa de morrer?” - alega o fumante com o cigarro entre os dedos.

Embora o local de maior exposição à fumaça seja o ambiente doméstico, segundo pesquisa divulgada em 27 de novembro de 2009, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as discussões sobre leis restritivas ao uso do cigarro em lugares públicos vêm ganhando força. Não é para menos, afinal, as estatísticas de mortes relacionadas ao cigarro não envolvem números, mas pessoas. Envolvem o João, a Bia, o Carlos, a Roberta, um amigo, um parente, um conhecido. Alguém que vira estatística como a fumaça do cigarro se dissipa no ar. Uma estatística não mostrada nas antigas propagandas de cigarro, que antes de terem sua veiculação proibida na TV e no rádio, associavam seu produto a símbolos de força e status. Cavalos, esportes radicais, belíssimas paisagens, jovens felizes e bem resolvidos faziam parte de comerciais convincentes, cujos resultados não condiziam com a arte neles apresentada. Muita beleza para um fim trágico.

Campanhas antitabagistas são frequentemente lançadas na mídia. Como avisos, fotos de doentes terminais são impressas nos maços de cigarros. Os danos causados à saúde, como câncer, impotência, envelhecimento precoce, problemas respiratórios e acidentes vasculares, dentre outros, são amplamente divulgados. A informação é clara. O livre-arbítrio é fato.

Conheço fumantes que se referem ao ato de fumar dizendo: “Vou pôr uns pregos no caixão.” Pregos no caixão de quem? Em lugares públicos, nada como o bom senso para pôr ordem nas coisas. Ninguém é obrigado a respirar as mais de 4 mil substâncias nocivas presentes no cigarro de um fumante desatento ao bem estar dos que o cercam. Ora, se alguém opta por não consumir cigarros, obviamente não vai querer consumi-los por tabela.

“Você está esperando pacientemente o ônibus na rodoviária. Mais pessoas estão sentadas ao seu lado. O cidadão chega e fica de pé, mais a frente. Larga a mala. Puxa o cigarro, acende, fuma e solta a fumaça. O vento está na direção dos que estão sentados. Todos tossem, uns resmungam, outros trocam de lugar. O fumante parece não se importar.” Chato, não? Os fumantes alegam que a proibição do uso de cigarro em lugares públicos fere o direito individual. Os não fumantes, por sua vez, alegam que o direito individual não deve, em hipótese alguma, prejudicar o próximo. Lugares reservados para fumantes em ambientes públicos, como bares, restaurantes e local de trabalho, seriam uma boa solução, desde que os fumantes não se sentissem recriminados com isso, e que os espaços destinados para tal prática fossem respeitados. Além disso, os donos de estabelecimentos teriam que estar dispostos a investir para agradar a gregos e troianos.
Aos que não têm paciência, é preciso tolerância. Aos que não têm bom senso, é necessário repensar atitudes! Para convivermos harmoniosamente, precisamos nos colocar no lugar do próximo. Daí, a necessidade de trazermos à memória o velho e bom conselho: “Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você.

Um comentário:

Téo disse...

Muito bom!

Nem posso expressar minha opinião quanto ao cigarro...ainda preciso trabalhar minha intolerância...hehehehe

beeeijos cris