sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E NEM assim...

Enunciados extensos e uma prova cansativa. Essa foi a definição dada pela maioria dos estudantes que realizaram o ENEM 2009. O grande índice de abstenção, sem precedentes na história do ENEM, é um grito de protesto ao qual ninguém parece prestar atenção. O vazamento da primeira prova e o adiamento da data; a notícia de que algumas faculdades não usariam o resultado do ENEM em suas avaliações e, os problemas com os locais de prova estipulados, que contrariavam o que dizia a inscrição de vários candidatos por todo o país, foram os grandes agentes causadores do “protesto.”

O vazamento da primeira prova gerou uma atmosfera de insegurança em relação à seriedade do exame. Muitos desistiram por aí. Outros desistiram após o primeiro dia. As 180 questões foram um teste à capacidade de resistência mental e concentração dos candidatos. A redação, aplicada no segundo dia, tinha o seguinte tema como proposta: “O indivíduo frente à ética nacional”. Sugestivo, não? Se a redação não servir para obtenção de nota significativa no resultado final, espero que, ao menos, tenha feito milhões pensarem sobre seu posicionamento em relação à ética, ou, falta dela no governo.

A indignação foi geral quando o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC responsável pela aplicação do ENEM, retirou do site os resultados do exame, alegando que haviam sido identificadas inconsistências nos gabaritos de diferentes modelos de prova publicados. Um “descuido” imperdoável. Inconsistências no gabarito de um exame aplicado a nível nacional? Ao todo, os candidatos tiveram 10 horas para ler, interpretar, responder as extensas 180 questões e fazer a redação. Os organizadores do ENEM tiveram quantos dias para conferir o gabarito antes de publicá-lo? Você já deve ter recebido em anos anteriores, e-mails com as “pérolas” das redações do ENEM. Esses e-mails ainda não chegaram, mas li por aí uma frase interessantíssima: A “pérola” do ENEM esse ano, foi o próprio ENEM.

Agora “entendo” o deputado Chico Alencar, do PSOL - RJ, que sugeriu uma mudança na bandeira nacional: o acréscimo da palavra “amor” à expressão ordem e progresso. É deputado... Só com amor mesmo, porque pelo visto, ordem e progresso não andam “bem das pernas” na nossa pátria “amada”.
Boa sorte a todos que, assim como eu, participaram do exame. Precisaremos!

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