segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Presente de Natal da Tia Luísa

Luísa, tia de três moleques, estava cansada de ter que falar e ouvir a mesma coisa em todos os finais de ano. Naquele ano, seus sobrinhos teriam um presente de Natal diferente. Ela não engordaria os bolsos dos comerciantes. Definitivamente, não. Estava na hora de seus sobrinhos aprenderem o verdadeiro significado do Natal.

É noite de Natal. A mesa está posta e todos estão reunidos, eufóricos com a troca de presentes, tradicional na família. Chega a hora da entrega dos presentes de Luísa. Os meninos parecem não se conter:
- A tia sempre dá um presentão!

Ela chama seus sobrinhos para mais perto, senta os dois menores em seu colo, um em cada perna; o maior senta-se no chão.

- Queridos, neste ano, a tia Luísa não vai dar presentes materiais para vocês.

Os meninos entreolham-se, com caras de “lá vem bomba”.

- Neste ano, quero que conheçam o verdadeiro significado do Natal. O Natal não é troca de presentes nem deveria movimentar o comércio dessa maneira. Natal não é Papai Noel, nem pinheirinho enfeitado com luzes. Claro que tudo isso é muito bonito e realmente mexe com as pessoas, mas Natal é mais do que isso.
Os meninos olham para a mãe, encostada no vão da porta. Para horror dos três, parece-lhes que há um sorriso de satisfação despontando do canto da boca dela. A impaciência começa a aparecer:

- Afinal, onde estão os presentes, tia?
- No Natal, comemoramos o nascimento do nosso Salvador. Vocês sabem disso, não sabem? - continua Luísa.
- Sabemos! - respondem os três, em uníssono.
- Pois bem! De nada adiantam as luzes, a festa e os presentes se não tivermos isso no coração. O verdadeiro presente de Natal é Cristo! Temos que agradecer, não só nesta data, mas sempre, por Ele ter vindo ao mundo e pelo bem que isso nos trouxe. Por isso, queridos, neste ano, a tia não vai dar presentes, como de costume. Quero que entendam o que o Natal realmente significa. Este é o meu presente!

Enquanto os meninos são abraçados pela tia, olham para a mãe, que ainda os observa, da porta. Luísa está orgulhosa de sua atitude. A mãe, feliz, vendo que a conversa acabara, esfrega as mãos e, calorosamente, convida todos a se servirem. Enquanto observa todos se achegando à mesa, sente o caçula puxar-lhe a saia, de leve. Ele pede para que ela se aproxime. Ela se curva e o filho, com as mãos em forma de concha ao redor de sua orelha, sussurra:
- Mãe, não comenta com ninguém, não, mas eu acho que, neste ano, a tia ‘tá mal de grana.

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