terça-feira, 22 de dezembro de 2009

É Natal!

É... Mais um Natal se aproxima. O comércio se anima com a expectativa das vendas, as luzes brilham nas casas, os pinheirinhos são montados, e presentes são comprados. Tudo parece cheio de brilho e encantamento. O mundo sabe o que o Natal significa e representa, mas não custa nada lembrar. É sempre bom refrescar a memória com um dos acontecimentos mais marcantes que a humanidade já presenciou: o nascimento de Jesus. A chegada da esperança e redenção aos povos. A todos. A nós.
É no Natal que as famílias se reúnem, alguns sentem saudades, e outros, continuam sós. É no Natal que me pergunto: “alguém lembra o motivo da reunião?” Alguém festeja a chegada da esperança ao mundo? Ou estamos tão cauterizados pela rotina e pelo comércio, que nos esquecemos do personagem principal da “noite feliz”?
É Natal! É tempo de presentear, sim! Presentear perdão, solidariedade, carinho, fé e obras. É tempo de sentir saudades de quem partiu, e de se alegrar pela presença dos que estão ao seu redor e lhe são tão caros. É tempo de encher o coração de esperança, “porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”
Que o seu Natal tenha o brilho da esperança que Jesus trouxe ao mundo. Que o seu presente seja a salvação. Comemoremos esse nascimento! Cristo, o Salvador, nasceu.
Um verdadeiro Feliz Natal para você!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E NEM assim...

Enunciados extensos e uma prova cansativa. Essa foi a definição dada pela maioria dos estudantes que realizaram o ENEM 2009. O grande índice de abstenção, sem precedentes na história do ENEM, é um grito de protesto ao qual ninguém parece prestar atenção. O vazamento da primeira prova e o adiamento da data; a notícia de que algumas faculdades não usariam o resultado do ENEM em suas avaliações e, os problemas com os locais de prova estipulados, que contrariavam o que dizia a inscrição de vários candidatos por todo o país, foram os grandes agentes causadores do “protesto.”

O vazamento da primeira prova gerou uma atmosfera de insegurança em relação à seriedade do exame. Muitos desistiram por aí. Outros desistiram após o primeiro dia. As 180 questões foram um teste à capacidade de resistência mental e concentração dos candidatos. A redação, aplicada no segundo dia, tinha o seguinte tema como proposta: “O indivíduo frente à ética nacional”. Sugestivo, não? Se a redação não servir para obtenção de nota significativa no resultado final, espero que, ao menos, tenha feito milhões pensarem sobre seu posicionamento em relação à ética, ou, falta dela no governo.

A indignação foi geral quando o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC responsável pela aplicação do ENEM, retirou do site os resultados do exame, alegando que haviam sido identificadas inconsistências nos gabaritos de diferentes modelos de prova publicados. Um “descuido” imperdoável. Inconsistências no gabarito de um exame aplicado a nível nacional? Ao todo, os candidatos tiveram 10 horas para ler, interpretar, responder as extensas 180 questões e fazer a redação. Os organizadores do ENEM tiveram quantos dias para conferir o gabarito antes de publicá-lo? Você já deve ter recebido em anos anteriores, e-mails com as “pérolas” das redações do ENEM. Esses e-mails ainda não chegaram, mas li por aí uma frase interessantíssima: A “pérola” do ENEM esse ano, foi o próprio ENEM.

Agora “entendo” o deputado Chico Alencar, do PSOL - RJ, que sugeriu uma mudança na bandeira nacional: o acréscimo da palavra “amor” à expressão ordem e progresso. É deputado... Só com amor mesmo, porque pelo visto, ordem e progresso não andam “bem das pernas” na nossa pátria “amada”.
Boa sorte a todos que, assim como eu, participaram do exame. Precisaremos!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fumo e polêmica

Fumantes viram estatística. Propagandas de cigarro são proibidas na mídia. Campanhas antitabagistas são veiculadas em peso. De um lado, leis restritivas quanto ao uso do cigarro em lugares públicos, e de outro, o direito individual. O impasse está formado. Uma guerra silenciosa entre a saúde e o vício, a opção e a passividade; o bom senso e a falta dele. Todos sabem dos malefícios do fumo: um suicídio à prestação. “E quem tem pressa de morrer?” - alega o fumante com o cigarro entre os dedos.

Embora o local de maior exposição à fumaça seja o ambiente doméstico, segundo pesquisa divulgada em 27 de novembro de 2009, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as discussões sobre leis restritivas ao uso do cigarro em lugares públicos vêm ganhando força. Não é para menos, afinal, as estatísticas de mortes relacionadas ao cigarro não envolvem números, mas pessoas. Envolvem o João, a Bia, o Carlos, a Roberta, um amigo, um parente, um conhecido. Alguém que vira estatística como a fumaça do cigarro se dissipa no ar. Uma estatística não mostrada nas antigas propagandas de cigarro, que antes de terem sua veiculação proibida na TV e no rádio, associavam seu produto a símbolos de força e status. Cavalos, esportes radicais, belíssimas paisagens, jovens felizes e bem resolvidos faziam parte de comerciais convincentes, cujos resultados não condiziam com a arte neles apresentada. Muita beleza para um fim trágico.

Campanhas antitabagistas são frequentemente lançadas na mídia. Como avisos, fotos de doentes terminais são impressas nos maços de cigarros. Os danos causados à saúde, como câncer, impotência, envelhecimento precoce, problemas respiratórios e acidentes vasculares, dentre outros, são amplamente divulgados. A informação é clara. O livre-arbítrio é fato.

Conheço fumantes que se referem ao ato de fumar dizendo: “Vou pôr uns pregos no caixão.” Pregos no caixão de quem? Em lugares públicos, nada como o bom senso para pôr ordem nas coisas. Ninguém é obrigado a respirar as mais de 4 mil substâncias nocivas presentes no cigarro de um fumante desatento ao bem estar dos que o cercam. Ora, se alguém opta por não consumir cigarros, obviamente não vai querer consumi-los por tabela.

“Você está esperando pacientemente o ônibus na rodoviária. Mais pessoas estão sentadas ao seu lado. O cidadão chega e fica de pé, mais a frente. Larga a mala. Puxa o cigarro, acende, fuma e solta a fumaça. O vento está na direção dos que estão sentados. Todos tossem, uns resmungam, outros trocam de lugar. O fumante parece não se importar.” Chato, não? Os fumantes alegam que a proibição do uso de cigarro em lugares públicos fere o direito individual. Os não fumantes, por sua vez, alegam que o direito individual não deve, em hipótese alguma, prejudicar o próximo. Lugares reservados para fumantes em ambientes públicos, como bares, restaurantes e local de trabalho, seriam uma boa solução, desde que os fumantes não se sentissem recriminados com isso, e que os espaços destinados para tal prática fossem respeitados. Além disso, os donos de estabelecimentos teriam que estar dispostos a investir para agradar a gregos e troianos.
Aos que não têm paciência, é preciso tolerância. Aos que não têm bom senso, é necessário repensar atitudes! Para convivermos harmoniosamente, precisamos nos colocar no lugar do próximo. Daí, a necessidade de trazermos à memória o velho e bom conselho: “Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Corre, que dá tempo!

Tem a impressão de que o ano está passando rápido demais? Já é quase seu aniversário de novo? Você anda sem tempo para fazer o que tem de ser feito? O que consegue fazer, parece não estar bom o suficiente? Anda precisando de dias maiores? Dias de 30 horas, por exemplo? Seja bem vindo ao time! É nossa culpa essa correria desenfreada que faz com que passemos pelos dias sem notá-los? Você conhece mais pessoas na mesma situação? Eu conheço, e, foi conversando com uma delas, que surgiu a ideia de escrever sobre a falta de tempo.

A pressão dos compromissos que assumimos no dia a dia, quer sejam esses no trabalho, estudos ou relacionamentos, faz com que tenhamos pressa. Parece-nos que sempre há algo por fazer. Temos que correr, embora, não saibamos exatamente para onde essa corrida maluca está nos levando. Corremos talvez, para noites sem sono e remédios para dormir. Corremos e passamos pelos que nos são tão caros, muitas vezes, deixando-os para trás. Corremos a passos largos para a falta de lazer, para longe dos amigos e da qualidade de vida. Tempo, tempo! Falta tempo! Se “tempo é dinheiro”, muita coisa está explicada, então! Tempo curto... Grana curta! Brincadeira à parte, quando “as pernas” mostrarem sinais de cansaço em meio a essa corrida, o melhor a fazer é parar, pegar uma água, tomar um fôlego, e avaliar a situação. Seriamente. O problema pode não ser a falta de tempo, mas, a má administração do tempo disponível. Não assumir compromissos que irão sobrecarregar, e, consequentemente, comprometer a qualidade do seu tempo, já é um bom começo.

Você não precisa de dias com 30 horas. Precisa sim, aprender a administrar as 24 horas que tem. Como? Agende-se, anote, cancele compromissos se necessário, mas perceba quando os sinais da falta de tempo visitarem você. Reserve um tempo de qualidade para a sua vida. Tempo para as coisas que fazem bem, divertem, relaxam e instruem.
Corre! Que dá tempo de fazer isso! Aproveite!

sábado, 24 de outubro de 2009

Quando os sonhos são ameaçados

Quando indagada por um amigo, via e-mail, acerca de meus planos para o próximo ano, fui categórica: continuar viva, enxergando e bem lúcida. Depois do susto na quarta-feira passada, algumas prioridades certamente mudaram em minha vida. A perda parcial da visão do olho direito por alguns instantes, a preocupação e correria geradas por isso, serviram de alerta. Um alerta que não poderia ser ignorado. Um refresco à memória, adormecida pelo comodismo.

O trecho da música A lição, da banda Oficina G3, ilustra muito bem os dois dias de angústia e espera pelo resultado da tomografia e pela consulta com o neurologista: “É sempre a morte que refresca a memória”. Só paramos para pensar na eternidade diante de duas possibilidades: enfermidade e morte. Nossa fragilidade, tanto física quanto psicológica, vem à tona e parecemos impotentes diante dessas realidades. Por mais otimistas que tentemos ser ou parecer, em situações assim, acabamos por “desabar”.
Esperar por um resultado que representa ameaça aos nossos sonhos e planos, pode ser angustiante e desanimador, contudo, pode servir para refletirmos sobre o tipo de vida que estamos levando, e se temos dado valor às coisas que realmente importam. Se temos agradecido pelos dias que começam, pelo fato de estarmos vivos, pelos pais, amigos, o cachorro esperando no portão, o sol ou a chuva lá fora, pela inteligência, pela capacidade física, pela casa, a cama, a comida e por tantos outros privilégios que temos. Isso nos parece tão comum - e passa sem que apreciemos, verdadeiramente, seu valor. Enquanto estamos ocupados demais, esquecemo-nos de que muitos não desfrutam disso.

"Quero trazer à memória o que me pode dar esperança," diz o profeta Jeremias, em Lamentações 3:21. Não se trata apenas de pensarmos positivamente. Trata-se de confiarmos no zelo que Deus tem para conosco e nos lembrarmos disso constantemente, mesmo quando o lado negativo da situação parece ser a única coisa à frente. Não pode haver esperança maior do que esta: ter alguém que zela por nossas vidas e nos escolheu para a vida eterna. Isso não significa que não passaremos por mares tempestuosos, mas que os enfrentaremos, firmes e seguros, saindo deles, vitoriosos.

Pequenas atitudes, grandes mudanças.

O homem, embora se considere grande, é ínfimo diante da fúria da natureza. É grande demais para destruí-la e fazer dela o que bem entende. Pequeno demais para arcar com as consequências de seus atos danosos. Age como se os recursos naturais fossem inesgotáveis, como se a natureza fosse reciclável e autolimpante. Inconsequente, esquece da boa e velha lei da física: “toda ação tem uma reação”.
Poluímos o ar com o interminável e desenfreado crescimento da frota de veículos, que libera todos os dias, toneladas de gases nocivos à camada de ozônio, mas não queremos o aquecimento global. Lançamos lixo nos rios e em lugares impróprios para tal fim, porém não queremos enchentes. Desperdiçamos a água potável, mas não queremos que ela acabe.
O homem é pequeno em atitudes, e menor ainda diante das consequências de seus atos. Mostra o que é, quando agindo sem pensar no futuro, destrói o próprio meio em que vive. Quando diante das adversidades impostas pela fúria da natureza, vê-se desamparado e aturdido. Pequeno. Nada mais. Pequeno diante da infinita capacidade autodestrutiva que possui.
Se toda ação tem uma reação, é hora de levarmos em conta nossos atos. Ora, se a reação tem sido furiosa, devastadora e implacável, há que se repensar quais atitudes estamos tomando. Desastres naturais, cada vez mais frequentes, têm vitimado vidas, patrimônios, histórias e futuros. Isso é reação.A ação mais acertada a ser tomada por cada um é a mudança. Essa sim, fará com que a reação, tanto do próximo quanto da natureza, seja positiva. Não agir e esperar que alguém reaja é contrário à física e à lógica. Façamos a nossa parte.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A parede no escuro - Altair Martins

A parede no escuro é o primeiro romance de Altair Martins, lançado em 2008 pela Editora Record. Com 250 páginas, custa em torno de R$ 36,00.

Altair Martins é natural de Porto Alegre e nasceu em 1975. Bacharel em Letras e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS, também leciona em escolas de Porto Alegre e é responsável pela cadeira de conto no curso de formação de escritores da Unisinos, em São Leopoldo. Como escritor, estreou com a antologia de contos Como se moesse ferro (1999), seguida de Se chovessem pássaros (2003). Com o livro A parede no escuro, foi o vencedor da segunda edição do “Prêmio São Paulo de Literatura”, em 2009, como melhor autor estreante.

A história de A parede no escuro acontece em Pedras Brancas, onde Adorno é padeiro e dono da Padaria Oliveira. Pai de Maria do Céu e esposo de Onira, Adorno não se conforma de a filha ter deixado sua casa para morar com uma amiga. Pensa que a filha é “machorra”. Sofre de fortes dores no peito. Onira, uma devota que vive fazendo citações acerca da Bíblia e de Deus, tenta a reconciliação dos dois, junto a Adorno. Maria do Céu, a filha, é estudante de veterinária e divide apartamento com Lisla, uma moça negra de dezessete anos.

Emanuel leciona matemática (Geometria) a uma turma desinteressada. É extremamente organizado, tem mania de contar e listar tudo o que vê e não suporta objetos desalinhados. Lisla é uma de suas alunas. Na noite do aniversário de Emanuel, ela tenta seduzi-lo, mas tem sua intenção frustrada, visto que ele não consegue manter relações sexuais com ela e acaba dormindo no apartamento da aluna.

Pela manhã, bem cedo, Emanuel vai buscar seu pai, Fojo, que tem uma grave doença no pulmão, para levá-lo ao médico. Está escuro e chove muito. Ele atropela Adorno em frente à padaria, quando esse descia de sua Kombi com os pães. Foge sem prestar socorro. Retorna ao local do acidente. Ninguém na rua. Adorno está morto. É só mais tarde que Emanuel descobre que seu pai, que mora próximo ao local do atropelamento, havia saído na rua momentos depois do acidente e que, mesmo de longe, conseguira ver dois homens no asfalto e um carro branco. O carro dele.

É aí que mergulhamos nos conflitos vividos por Emanuel. Seu pai, que parece ser a única testemunha ocular do acidente, é hospitalizado em estado grave e já não pode falar acerca do que viu. Emanuel deve se entregar? Seu pai vira que ele havia sido o responsável pela morte do padeiro? Paralelamente, acompanhamos a retomada dos negócios da padaria, o recomeço, as dores e conflitos vividos por Onira e Maria do Céu.

O romance é intrigante. A história é narrada pelos envolvidos nos acontecimentos. O mesmo fato é visto por vários ângulos e raríssimas são as vezes em que uma 3ª pessoa é o narrador. O autor não corrige os personagens, mas deixa-os falando como bem entendem. Nada de português rebuscado e, ouso afirmar, é esse ingrediente que faz com que o leitor praticamente acredite no livro de Altair Martins como sendo algo verídico. Há uma imensa riqueza de detalhes na construção dos personagens. Tamanha riqueza, que os detalhes parecem até de foro pessoal, o que facilita a identificação do leitor com os personagens.

O autor não usa a maneira convencional nos diálogos. Não espere dois pontos e um travessão. Consegue-se identificar uma palavra dita através da letra maiúscula solta no meio da frase, sem um ponto que a anteceda. No começo, isso salta aos olhos como um erro imperdoável de revisão e, mais adiante, parece-nos absolutamente normal. Um novo e único jeito de escrever. Uma oralidade constante onde parece ser possível ouvir o que se lê.

Altair Martins, em dado momento da obra, traça um perfil do sistema educacional na atualidade. Através de Emanuel e seu amigo Coivara, também professor, podemos presenciar valores profissionais sucumbindo diante de turmas indisciplinadas e descomprometidas. Mostra-nos uma realidade onde professor apanha de aluno e, no final das contas, tende a se conformar. Uma realidade na qual o professor tem certa obrigação de aprovar, independentemente do resultado alcançado pelo aluno.

O romance aborda o humano e todas as suas facetas, sem maquiagem alguma. Segredo, dúvida, conflito, perda, dor e recomeço são os principais temas encontrados em A parede no escuro. Os personagens saltam palpáveis das páginas, quase visíveis aos olhos. Próximos e comuns demais. Quase de carne. Quase como nós. Vidas engenhosamente entrelaçadas com prosa e poesia. Uma bela obra literária.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um Best Seller para chamar de SEU

Na disciplina de Leitura e Produção de Textos, o professor propôs que escrevêssemos a nosso respeito. Uma breve biografia, na qual falaríamos sobre nossas vidas, interesses culturais e sonhos; as escolas pelas quais passamos, dentre outras coisas. Achei a proposta tentadora. Imediatamente, veio à memória uma entrevista que Fabrício Carpinejar, escritor gaúcho, concedeu ao Jornal do Almoço, falando sobre sua oficina de terapia literária. Ele e a repórter saíram pelas ruas perguntando às pessoas se suas experiências pessoais renderiam um livro, e, todos os entrevistados disseram que sim. Alguns deles, disseram: "muitos livros".
Minhas histórias renderiam bons livros e, com certeza, as suas também. Não percebemos que produzimos um material riquíssimo em detalhes, dignos de best sellers, enquanto simplesmente vivemos. Fatos marcantes, absurdos, divertidos, conflitantes, decepcionantes e emocionantes são escritos nas páginas de nossa biografia todos os dias.
Agora mesmo, antes de começar a escrever este texto, vivi uma situação divertidíssima, que conto aqui, com a autorização da personagem principal da história. Lá estávamos, no meio da rua. Eu, de meias e chinelos, correndo e empurrando a moto. Minha amiga, sentada na moto, ajudava a 'dar embalo' com os pés. Depois de muitas tentativas e um pouco de suor, conseguimos fazer com que a moto 'pegasse no tranco'. Quase perdemos as forças rindo da situação cômica que enfrentávamos, e comentamos: "Isso vai ficar para a história".
Todas as situações que eu e você já vivemos, ficarão para a história. Já encarou sua vida como um livro sendo escrito? É a única oportunidade que temos de fazer com que nosso personagem real seja o protagonista.
Deus nos dá a vida e cabe a nós decidirmos se seguiremos ou não o roteiro maravilhoso que Ele escreveu. Você é o artista, e o resultado da obra depende unicamente do seu desempenho em seguir o roteiro, que sabemos, tem um final feliz.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A Rotina

“A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O inicio é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto
A rotina do jornal é o fato
A celebridade é a rotina do boato
A rotina da mão é o toque
A rotina da garganta é o rock
O coração é a rotina da batida
A rotina do equilíbrio é a medida
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio
A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo
A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem a sua beleza.”

Ah, que poema lindo! É daqueles que dão raiva de tão bons! Infelizmente não sei quem é o autor, mas seja lá quem for, está de parabéns! Sempre que passava o comercial da campanha "Toda rotina tem sua beleza", da Natura (olha o merchan!), eu parava o que estivesse fazendo para assistir. Que sacada! Campanha publicitária nota 10!

domingo, 16 de agosto de 2009

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Há pais conservadores, formais, pais alternativos, pais sofisticados, pais humildes.
Pais que curtem Rock, outros que curtem sertanejo, reggae, música clássica ou eletrônica.
Há pais gremistas, pais colorados.
Há pais durões, pais sentimentais.
Há pais que já partiram, pais ainda presentes.
Há pais que pagam pensão e acham que isso é o suficiente.
Há pais que nem se deram ao trabalho de assumir seus filhos.
Há pais adotivos, pais de coração.
Há pais que passam dificuldades e privações para que nada falte a filhos ingratos.
Há pais que perdoam o erro de coração aberto.
Há pais que dizem: “Eu te avisei”... E perdoam mesmo assim.
Há pais que não conversam com seus filhos há anos, por um motivo qualquer...
Há pais que são muito ocupados e não têm tempo.
Há pais que esperam que seus filhos tenham tempo para eles.
Há pais que não conversam enquanto assistem o jornal.
Há pais que inventam histórias com fantoches nas mãos.
Há pais de idade bem avançada.
Há pais que brincam como crianças.
Há crianças que já são pais.
Há pais presos, culpados ou inocentes.
Há tantos tipos de pais!
Pais de todas as raças, de todas as crenças e de todas as classes sociais.
Com seus defeitos e qualidades. Todos, PAIS.

Há muitos filhos que nesse Dia dos Pais estarão sós. Talvez porque o pai já tenha partido, talvez porque haja discórdia entre pai e filho. A primeira opção, infelizmente, é irremediável... Mas sempre é tempo de esquecer as mágoas e reatar os laços. Seja qual for o motivo da discórdia, quando a perda irremediável acontecer, talvez você queira reparar o erro e recuperar o tempo perdido. O tempo que foi roubado por uma discussão, pelo orgulho, pelo “não pedir perdão”, e se dará conta de que não há mais tempo para isso.
Dizem que mãe é uma só. E pai, não?

Ao que tem pai: Abrace-o.
Ao que não tem mais:
Relembre.
Aos que têm e aos que não têm: Há um PAI, que ama incondicionalmente, que não falha e que espera de braços abertos o abraço do filho.


Texto Publicada no Jornal O Açoriano, em homenagem aos Pais, em 2008.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Give It Away - Michael W. Smith



As legendas estão em Holandês. Não coloquei o clipe de um show de 1993, por ser um pouco extenso e ter entrevistas antes. Mas caso você queira, pode assistí-lo aqui.
Lembro-me que, quando criança, assisti a esse show na TV e coloquei o gravador ao lado da TV, para ler as legendas em voz alta e ter a tradução. Olhem que falta fazia a internet! Tenho a fita K7 até hoje. Tá bom, nem é tanto tempo assim... Ou é?

Segue abaixo, letra e tradução (não exatamente ao pé da letra)...

She asked him for forever
And a promise that would last
He said: "babe you know I love you
But I can't commit to that"
She said: "love isn't love 'till you give it away"

A father lived in silence
Saw his son become a man
There was a distance felt between them
'Cause he could not understand
That love isn't love 'till you give it away
You gotta give it away

As we live
Moving side by side
May we learn to give
Learn to sacrifice

We can entertain compassion
For a world in need of care
But the road of good intentions
Doesn't lead to anywhere
'Cause love isn't love 'till you give it away
You gotta give it away

Love is like a river
Flowing down from the giver of life
We drink from the water
And our thirst is no longer denied
You gotta give it away

There was a man who walked on water
He came to set the people free
He was the ultimate example
Of what love can truly be
'Cause his love was his life
And he gave it away
You gotta give it away

Tradução:

Ela perguntou se seria para sempre
E uma promessa que duraria
Ele disse: "querida, sabes que te amo
Mas não posso me comprometer"
Ela disse: "Amor não é amor até que você o entregue"
Você tem que entregá-lo

Um pai viveu em silêncio
Viu seu filho se tornar um homem
Havia uma distância entre eles
Porque ele não conseguia entender
Que o amor não é amor até que você o entregue
Você tem que entregá-lo

Assim como vivemos
Lado a lado
Podemos aprender a dar
Aprender a sacrificar

Podemos 'distrair' a compaixão
Para um mundo que necessita de cuidados
Mas o caminho das boas intenções
Não levam a lugar nenhum
Porque o amor não é amor
Até que você o entregue
Você tem que entregá-lo

O amor é como um rio
Fluindo do doador da vida
Nós bebemos da água
E nossa sede não é negada
Você tem que entregar

Houve um homem que andou sobre as águas
Ele veio para libertar o povo
Ele foi o exemplo definitivo
Do que realmente o amor pode ser
Por que seu amor foi sua vida
E Ele a entregou
Você tem que entregar

Michael W. Smith.

Olho Neles!

Você, como bom cidadão brasileiro, está cansado? Eu também. Não vem de hoje o desprazer de acompanharmos os escândalos do governo. Instaurou-se farra tamanha que “não cabe dentro do possível”. É tanta coisa que ninguém sabe de nada, mesmo que tudo esteja acontecendo debaixo dos narizes dos “interessados”.
Em entrevistas ao quadro “Controle de Qualidade”, do programa CQC, podemos presenciar por exemplo, deputados que não conhecem a lei Maria da Penha, criada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Nos noticiários, podemos ver de um lado, fraudes e mais fraudes, salários exorbitantes, atos secretos, castelo e 'até um mensalão, por que não'? De outro, hospitais sem leito, falta de segurança, descaso com a educação e uma lista extensa de necessidades básicas que deveriam ser a prioridade do governo. Necessidades básicas da população. Não deles.
Má administração pública não é novidade para nós, que somos brasileiros e não desistimos nunca. Não desistimos de continuar votando naqueles que fizeram coisas erradas no passado. Não desistimos de ter memória curta. Os mesmos que tiramos do poder, são os que tornamos a eleger. Nos queixamos por nossas escolhas. E temos reais escolhas? Ou descobriremos mais tarde que tudo não passava de um belo discurso persuasivo e continuaremos reclamando?
Você lembra da frase principal das propagandas da campanha “Olho Nele”, do TSE? O Brasil é tão bom quanto o voto que você colocou na urna. Isso não só na urna que elege o presidente, mas também nas urnas que elegem prefeitos, vereadores, deputados e senadores.
Douglas Adams, com seu humor ácido, em O Restaurante no Fim do Universo, divaga a respeito do assunto: “Um dos principais problemas em governar pessoas, está em quem você escolhe para fazê-lo. Ou melhor, em quem consegue fazer com que as pessoas deixem que ele faça isso com elas. Resumindo: é um fato bem conhecido que todos os que querem governar as outras pessoas são, por isso mesmo, os menos indicados para isso.”


Espero que encontremos candidatos que queiram governar para as pessoas. Até lá, OLHO NELES!


Meu professor, Gerson, "saiu com uma" muito legal quando brinquei que seria bem divertido chegar com uma bazuca no congresso e fazer um estrago:
- ELES precisam de VERGONHA, não de alívio.

E não é que é?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

E pra mim, um cafezinho...

Apparício Torelly, mais conhecido como Barão de Itararé, cursava Medicina. Conta-se que certo dia, o professor se dirigiu a ele e perguntou:
- Quantos rins nós temos?
Ele respondeu:
- Quatro.
E ouviu uma gargalhada do arrogante professor que, não satisfeito, ainda ordenou a seu
assistente:
- Me traz um punhado de capim, pois temos um asno na sala.
Apparício aproveitou a deixa e pediu:
- E para mim, um cafezinho!
Foi expulso da sala, mas, na saída, ainda teve a audácia de corrigir o professor:
- O senhor me perguntou quantos rins nós temos. ‘Nós’ temos quatro: Dois meus e dois seus. ‘Nós’ é a 1ª pessoa do plural. Tenha um bom apetite, seu capim está chegando.
Não é brilhante? Podemos tirar duas lições bem legais daqui:
1ª - Não subestime 'os outros' por achar que tem conhecimento. 'Os outros' podem ter imaginação...
2ª - Peça o cafezinho e não o capim! Leve as coisas com bom humor e criatividade. Tudo fica bem mais leve! Pelo menos pra você!

*Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (29/01/1895 - 27/11/1971), foi Jornalista. Escritor e pioneiro no humorismo político.

Solidariedade

Ainda estou decidindo se admiro ou chamo de doido quem gosta do frio e quem consegue ficar bonito no inverno. Brincadeiras à parte, nós, gaúchos, sofremos “um pouquinho” nessa época... Por mais cuidados que tenhamos, a pele resseca, os lábios racham e por aí vai. 'Tiro o chapéu' para quem gosta do inverno. Se tivesse dinheiro, com certeza já teria viajado para um lugar com muito sol e calor a essas horas. 

Era manhã. Estava muito frio. Esperando na fila de um estabelecimento, numa dessas conversas casuais, duas pessoas defendiam suas preferências por estações diferentes. Uma delas não gostava do verão e preferia o frio. Não suportava o calor e nem os mosquitos. A outra, defendendo o verão, disse algo que me chamou a atenção e me fez parar para pensar: “No calor a gente se vira, mas o frio mata”. Saí pensando sobre isso e enquanto o ar frio penetrava meus pulmões, tentei imaginar como seria estar usando apenas um moletom, e não blusas e casacos. Como seria estar usando chinelos, e não um calçado fechado. Imaginei não ter onde deitar quando a noite chegasse com todo aquele frio. Como seria passar o inverno ou uma noite que fosse, ao léu. E agradeci. Por mais que reclamemos da vida e achemos que as coisas não vão bem, somos privilegiados. Talvez o que tenhamos hoje, seja menos do que esperamos, mas é tudo o que precisamos. Como é fácil focarmos nossa atenção em nossos problemas e esquecermos que há quem não tenha o básico. Aquele básico que nos passa despercebido: A cama confortável, roupas suficientes para aplacar o frio, uma bebida quente... Que tal nós, que somos agraciados pelo Pai e estamos bem aquecidos nesse inverno, sermos solidários com quem precisa? Um gesto simples, como doar um agasalho que não usamos mais, pode fazer a diferença para alguém nesse inverno. Aqueçamos não só o corpo, mas também o coração.
"A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana."
( Franz Kafka )

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dia do Amigo

"Não se emite certidão de nascimento quando nasce uma amizade. Não há nada de concreto. Há apenas a sensação de que a vida está diferente e que a capacidade de amar e de se interessar foi milagrosamente ampliada sem qualquer esforço de sua parte. É como quando se tem um apartamento pequeno e alguém vai morar com você. No entanto, em vez de se tornar restrito e apinhado, o espaço expande-se e você descobre peças que nunca pensou ter até que seu amigo se mudou para sua casa.” (Steve Tesich)

Feliz Dia do Amigo para quem passar por aqui!

sábado, 18 de julho de 2009

Para quem gosta de fotografia... Eugène Atget

Organ Grinder - 1899


Ragpicker - 1900


Hotel des Archeveques de Lyon - 1900
Lampshade - 1900

Ambassade d' Autriche - 1905

Drum - 1908

Cour - 1910
Fontaine - 1911

Coin - 1911

Charenton - 1915

Prostitute - 1920s

Saint Cloud - 1922

Rue des Ursins - 1923

Montmartre - 1923

Parc de Sceaux - 1925

Pantheon - 1925

Notre Dame - 1925

Le Cirque - Não tenho a data
Um breve resumo: Eugène Atget (12/02/1856 ou 1857 – 04/08/1927) foi um fotógrafo francês, hoje tido como um dos mais importantes fotógrafos da história. Passou toda a vida em Paris. Pioneiro, revolucionou a fotografia com seu olhar desviado do ser humano. Fotografava o vazio das ruas parisienses e objetos inusitados. Iniciou a profissão de fotógrafo aos 40 anos de idade e foi o precursor da fotografia moderna em Paris. Atget desprezava a fotografia convencional, especializada em imagens humanas. Inaugurou a fotografia urbana. Não teve reconhecimento de seu trabalho em vida. Morreu em 1927, pobre e solitário, em Paris.


quinta-feira, 16 de julho de 2009

Para quem gosta de fotografia...

Robert Capa - Guerra Civil Espanhola


Lewis Hine - Operário no trabalho (Empire State Building) 1931


Eugene Smith - The Walk To Paradise Garden


Edward Steichen - Heavy Roses


Fotos enviadas por José Vargas.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Dias melhores

Você sabe que não está numa "maré de bons dias" quando entra de férias e fica gripado no dia seguinte. Você tem certeza de que a maré não é boa, quando a tal gripe não passa.
Você pode ter algumas outras confirmações, como por exemplo, usar o valor das férias para pagar o IPVA, o seguro obrigatório (OBRIGATÓRIO MESMO) e a taxa de expedição do documento da moto, pagar a mensalidade da facul, uma coisa aqui, outra lá, e, de repente, se ver sem dinheiro. E você está no meio das férias!
Você sai e deixa sua moto (que precisa de pneus novos, cano novo e troca de óleo urgente), no pátio da casa da sua tia e os cachorros mascam a borracha que reveste o apoio do pé esquerdo.
Você está de férias! Você não tem dinheiro! E precisa cortar o cabelo! Ah, e você não tem um namorado!
Suas férias vão acabar logo e você sabe, embora não queira, que terá de voltar para a mesma rotina, para os mesmos horários e não vai mais assistir sessão da tarde comendo pipoca. Não até as próximas férias. Sim, porque pobre vê sessão da tarde nas férias, rico vai a Paris!
Mas você continua acreditando que "daqui pra frente tudo vai ser diferente". Ou, pelo menos, continua acreditando que não tem como piorar mais. E é bom acreditar!

Não é brasileiro que não desiste nunca? Então!
Sorriso na cara, bola pra frente e "vamo que vamo"!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Um Tributo à Vida

Temos assistido a um verdadeiro bombardeio de informações, lamentações e homenagens, devido à morte do cantor Michael Jackson. Foi assistindo a um trecho do tributo feito em seu velório que comecei a pensar sobre algumas coisas que não podem passar em branco em nossas vidas. Não. Não falo sobre ele. Falo sobre nós.
Quando alguém parte, seja ele mundialmente conhecido ou um cidadão comum, há choro, lamentações, recordações, flores e tributos.
Quando alguém parte, já não é capaz de receber tudo isso. Já não pode ver a falta que irá fazer nem o quanto significava para você. Já não pode ouvir suas palavras e elogios e não estará no meio da conversa para partilhar as boas recordações em comum. Já não é mais capaz de sentir o perfume das flores enviadas, e nem pode ouvir as músicas entoadas em sua homenagem.
Quando alguém parte, ficamos com a impressão de que poderíamos ter feito mais. Isso me lembra o trecho de uma música do Oficina G3: “É sempre a morte que refresca a memória”. Se temos que passar pela vida, sabendo que mais cedo ou mais tarde o inevitável acontecerá, façamos com que as pessoas que nos cercam saibam o quanto são especiais para nós. Não esperemos que a morte refresque-nos a memória.
Envie flores e cartões. Se está apaixonado, envie rosas. Hoje! Sim, são caras, mas haverá alguém que ficará feliz em recebê-las e sentir seu perfume. Gaste agora. É o agora que realmente importa. Diga a alguém que tal música faz você lembrar-se dele. Envie a música ou cante para essa pessoa, mas deixe-a saber.
Elogie verdadeiramente. Destaque qualidades. Abrace. Ligue durante o dia. Surpreenda. Viva e compartilhe sua vida intensamente com as pessoas que ama. Faça alguma coisa hoje mesmo, por mais simples e boba que pareça. Isso faz toda a diferença, acredite!
Faça enquanto pode. Enquanto vale a pena. Enquanto houver possibilidade de troca, de reciprocidade. Faça agora mesmo. Por que não? Aposto que você já tem idéia de como deve começar. Tribute à vida!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Diálogos (Im)Pertinentes

Estava em uma fila, em determinado estabelecimento, esperando pacientemente com uma amiga a nossa vez de comprar pão, enquanto as atendentes conversavam entre si.
Entre uma espiadela em um preço e outro das coisas que estavam por perto, ouço o diálogo mais apropriado que poderia haver para o local em que estávamos.
Entre uma pesagem de bolo de chocolate e uns pães dentro dos saquinhos, eis o fragmento da conversa:
- Esse é tiro e queda!
- Qual? O Rosa?
- Sim, o rosa.
Outra atendente entra na conversa:
- Mas por que ele é bom?
A primeira responde enquanto pesa um pedaço de bolo e coloca a etiqueta do preço:
- Porque seca o rato. O Rosa é bom porque seca o rato.

"Veneno para ratos? Tem rato aqui será?"  

- Susi, me lembra de comentar uma coisa depois?
- Lembro.
- É sobre um assunto pertinente... Muito pertinente.
- Tá.
A atendente:
- O que era pra vocês, moças?
Minha amiga:
- Pãezinhos. Seis pãezinhos.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pois é, pois é...

Ao longo da nossa vida, somos um pouco de tudo.
Algumas expectativas frustradas. Um pouco de realizações.
Alguns sonhos perdidos, um pouco de desilusão. Muitas risadas. Choro na madrugada.
Somos o sonho de encontrar alguém. E o momento de achar que não há ninguém no mundo pra nós. Somos algumas trapalhadas, algumas palhaçadas e um pouco de mau humor. Somos como uma esponja que absorve as coisas, que sofre por antecipação e quase sempre, com razão.
Somos um pouco de razão. Um pouco de emoção. Alternadamente.
Somos a saudade de amigos. Decepção com amigos. Decepção para amigos. Somos amigos.
Somos insegurança. Somos um gigante às vezes. Somos invisíveis.
Somos a garganta que não engole sapo. E a mesma garganta que deixa passar alguns sem explicação.
Somos as fotos, a música, os livros.
Somos o silêncio na tristeza e o riso na euforia. Somos um pouco de dor, um pouco de memórias tristes, um pouco de saudosas lembranças.
Somos aquela criança que não cresce, ou pelo menos que não deveria crescer, para encarar a vida de uma maneira mais leve. Mais simples.
Somos um pouco de passado, um presente e um futuro.
Somos as coisas que vivemos e as bagagens que trazemos conosco. As experiências nos transformam. O passar do tempo nos modifica constantemente, incansavelmente. Adquirimos experiências em situações que não se repetirão. Experiência essa, que só vai servir para ajudar alguém, algum dia.
Nós somos o que vivemos.

sábado, 20 de junho de 2009

Jornal O Taquaryense

Visitei o Jornal O Taquaryense para um trabalho da faculdade e posto aqui algumas fotos da visita.

O Taquaryense foi fundado em 31/07/1887, por Albertino Saraiva, e é o 2º jornal mais antigo do Rio Grande do Sul. Feito artesanalmente (tipografia), é semanal (entregue aos sábados) e tem cerca de 350 assinantes.


Atualização, em 28 de dezembro de 2013:
O jornal também tem site: http://otaquaryense.tk, idealizado por mim e por minha colega e amiga Juliana Bencke. A primeira visita ao semanário rendeu frutos. Minha monografia e o projeto experimental tiveram O Taquaryense como tema.







As três últimas fotos são de arquivos de 1927 e 1928.

Abrindo espaço...

Fotos do colega Téo Zambarda.
Rio Paraná - Divisa da Argentina com o Paraguai.

Cores perfeitas. Sem edição! Aprecie sem moderação!


sábado, 30 de maio de 2009

Memórias de infância...

Adoro quando lembranças da minha infância afloram. Evocada pela palavra "biblioteca", pronunciada por uma colega de trabalho, em uma tarde chata e nublada, surge a lembrança de um livro: O Boneco de Chocolate. Transporto-me para a frente da estante onde costumavam ficar os livros infantis na Biblioteca Municipal. Minha mãe está procurando outros livros. A atração é fatal. O Boneco de Chocolate está ali. Lembro-me de usar o termo "comprido" para definir a altura do livro e não o tamanho da história. Ele estava meio "judiado", mas na capa, o boneco-menino marrom estava sorrindo e andando. Quantas vezes eu levara o livro para casa? Eu o queria novamente. Adorava imaginar como seria ser um boneco de chocolate, ou como seria comer um... Adorava chocolate. Ainda adoro. Mas eu queria imaginar com o livro nas mãos. Olhando para a capa. Desconhecia o motivo de tamanho fascínio. Um simples livro. E também não importava. Talvez fosse a química, mas eu não saberia disso com aquela idade.
Lembro que quase tão bom quanto chocolate, era pronunciar o título do livro: O Boneco de Chocolate. Soava bem. Bo-ne-co de cho-co-la-te! Vai... Sei que estás com vontade. Pronuncia também: Boneco de Chocolate. É bom, não? Eu falava de "boca cheia". Ainda hoje me parece bonita a pronúncia. Parece bobo, e talvez seja.
O sonho acaba. Tenho 25 anos, estou trabalhando e me pego dizendo: Boneco de Chocolate. Volto à rotina. O livro fica lá. O Boneco de Chocolate fica lá. Será que ainda existe? Lamento não lembrar da história. Lamento não lembrar do autor. Não achei nada a respeito. Mas lembro do físico, das "orelhas", das rasuras, do papel na mão e do cheiro. Livros tem isso... De hipnotizar. Tem essa química com o leitor. Essa coisa de pele...
Lembro-me da capa, com o boneco-menino marrom sorrindo e andando. Não sei pra onde foi. Há 19, 20 anos...

Post Relacionado: Velha Infância

terça-feira, 26 de maio de 2009

Os Casamentos Duravam Mais...

Recebi esse e-mail umas duas vezes já... Mas achei uma barbaridade nenhuma mulher ter respondido ainda. Resolvi dar algumas respostas... Espero que ajudem... hehehe.

'Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas'.(Jornal das Moças, 1957)
Irrite-o com outras coisas. Seja criativa.

'Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo'.(Revista Claudia, 1962)
Redobre a atenção. Isso sim...

'A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa'.(Jornal das Moças, 1965)
Como se a mulher fizesse a zorra toda... Bom, mas tudo bem... Concorde! Você também sente a mesma coisa!!!! Diga-lhe que fez uma reserva para vocês dois, no nome dele, no hotel mais caro da cidade; e que não precisarão tomar banho ali, em meio aquela desordem toda pelo menos hoje. Detestamos banheiros desordenados também. Não se surpreenda caso “se pegue” dizendo:
- Mudou de idéia amor? Para que esse balde e os produtos de limpeza, benzinho? Nem é tão caro, vai! Ah... querido... Conversa comigo enquanto limpa... Eu queria tanto ir pro hotel...

'A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas'.(Jornal das Moças, 1959)
Por isso, quando ele chegar em casa, saia. Sirva-lhe a cerveja bem gelada e saia! O que acontecer na sua volta por aí... é notícia doméstica... 

'Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa'.(Jornal das Moças, 1957)
Claro que ele não irá usá-los, pois se as cinzas já caíram no tapete uma vez, cairão sempre... Eles não se dão ao trabalho de procurar o cinzeiro. Esqueça. É perda de tempo e dinheiro você comprá-los e espalhá-los pela casa. Para eles, é muito mais simples, apenas bater com o dedo no cigarro, deixando as cinzas caírem no chão. Solução básica: Forre o chão da casa inteira com jornal e depois disso, chame os amigos dele para um jantar. Inclua o chefe dele na lista. Apresente a nova decoração como idéia do seu marido. Ou ele aprende, ou acaba colocando fogo na casa com as cinzas no jornal... O que não deixa de ser uma lição, cá entre nós...
 
'O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. ELE é quem decide - sempre'.(Revista Querida, 1953)
Decide sempre o quanto ele enrola você. Quase sempre é pra sempre.
'Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite, espere-o linda, cheirosa e dócil'.(Jornal das Moças, 1958)
O homem que prefere voltar tarde, mesmo sabendo que tem uma mulher esperando-o linda, cheirosa e dócil não pode estar no seu estado normal, ou está fazendo algum tipo de pesquisa filantrópica pra saber quanto tempo demora pra se levar um chifre agindo de tal forma. Bom... ele descobre o tempo que leva... Questão de tempo... Pouco tempo.

'É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido'.
(Jornal das Moças, 1957)
Opinião apoiada. Desde que o marido não seja aquele pançudo, que você encontra no sofá da sua casa e ainda não sabe como foi parar lá. De bermuda, meias e roupão aberto, o umbigo aparecendo, com uma lata de cerveja na mão (apoiada na barriga saliente) e barba por fazer. Façam assim e nos verão de bobbies no cabelo, máscara facial, depilação por fazer e cheiro de alvejante de roupa. Mas também damos outra opção, para não saírem por aí dizendo que somos más: façam assim e nos verão lindas, maquiadas, perfumadas, bem vestidas, “no salto”, saindo pela porta...

E para finalizar...
'O lugar de mulher é no lar. O trabalho fora de casa masculiniza'.(Revista Querida, 1955)
Masculiniza. Uhum... Sabemos. Pois bem. Solução básica: Largue seu emprego e continue comprando TUDO o que você compraria se estivesse trabalhando. Peça dinheiro pro shampoo, condicionador, depilação, escova, maquiagem, perfumes, roupas, sapatos, bolsas, eletrodomésticos e afins. Não queremos ficar masculinizadas de jeito nenhum! Imagina! Faremos de tudo para que nossos maridinhos nos vejam lindas e femininas!

CONCLUSÃO: Não se fazem mais revistas femininas instrutivas como antigamente.
Ainda bem... Sorte deles, não?

Sessão Pipoca!!!!!!!!

Dica de filme interessante:
The Party (Um Convidado Bem Trapalhão, em português) – 1968.
Dirigido por Blake Edwards.


O filme começa com duas sequências muito boas em um set de filmagem. Muita atenção à elas. Peter Sellers, que interpreta o desastrado indiano Hrundi V. Bakshi, destrói o set de gravação. O diretor do filme liga para o produtor, que anota o nome do “infeliz ator” em uma folha, para tratar pessoalmente de fazer com que esse, nunca mais trabalhe em um filme na vida. Detalhe: A folha onde o nome do ator é anotada, é nada mais, nada menos do que a lista de convidados para uma importante festa que o produtor dará em sua mansão. Sentiu o drama?
Pois é. Bakshi vai conseguir fazer com que a festa vire uma zorra. A festa começa muito calma e com o desenrolar do filme, vai se transformando num caos generalizado, com direito a muitas pessoas, água, sabão e espuma por toda a mansão e até mesmo um elefante.


Há muitas cenas bem legais:
Logo na chegada, quando ele perde o sapato que tentava limpar numa corrente de água que fluia pela casa (foto acima). Quando seu frango assado salta e vai parar na tiara da peruca de uma das mulheres na mesa. E quando o garçom consegue recuperá-lo, devolvendo-o ao prato de Bakshi, com um porém: a peruca da mulher junto. O garçom que conforme o jantar é servido, vai ficando cada vez mais bêbado e aprontando todas. A cena do banheiro, que é impecável: Quando ele nota que a caixa da descarga não pára e resolve consertar sozinho. Atenção à hora do papel higiênico. É hilário! É um fora atrás do outro.
O mais legal que pude observar no filme é a... Digamos... Inocência. Peter Sellers, na pele do indiano, nos passa algo de comovente. Um bobo desastrado que conquista a quem estiver assistindo, com seu sorriso enorme e suas trapalhadas sem fim. Dá dó.
Na
Wikipedia, que não é lá a fonte mais segura de informações, diz que o roteiro original teria entre 56 e 60 páginas, e que o diretor Blake Edwards, mais tarde havia dito que a maioria das cenas do filme foram improvisadas no set. O filme foi rodado seguindo a ordem das cenas mostradas no filme. A cada sequência rodada, o diretor, os atores e a equipe técnica se reuniam para decidir o que viria depois.

É bem legal...
Recomendo!!!!!!!!!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Música!!!

Coisa boa, inteligente, impressionante e criativa...
Assistam com atenção. Técnica... Muita...


Bobby McFerrin - Thinkin' About Your Body


sábado, 16 de maio de 2009

Lagoa Armênia - 1980

No tempo em que a água conseguia refletir o céu...


Foto: Arquivo pessoal

Teste de leitura Veloz...

Teste de Leitura Veloz da Universidade de Salamanca, Espanha. Tente ler sem errar.


O gato assim fez
O gato é fez
O gato que fez
O gato se fez
O gato mantém fez
O gato um fez
O gato anormal fez
O gato ocupado fez
O gato por fez
O gato dez fez
O gato segundos fez.

Agora, leia a 3ª palavra de cada frase.
Obrigada.
Hehehe.

Olha o que eu achei!!!!


Olha só o que achei no meio das minhas tralhas?!
Fica sempre na carteira. Pra nunca faltar dinheiro.



Sobra fim de mês no meu dinheiro II.