sábado, 2 de agosto de 2008

O Caçador de Pipas

Essa semana li o livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini; que conta a história de Hassan, o Hazara, um garoto pobre, filho do caseiro, que mantém uma amizade (a meu ver, unilateral) com Amir, o garoto rico.
Campeonatos de pipas são muito comuns no Afeganistão e é em um desses campeonatos que a amizade de Amir e Hassan é colocada à prova. Amir não tinha uma relação muito boa com seu pai, Baba, e queria ganhar o campeonato para chamar a atenção e ter o amor do pai. Mas além de vencer, Amir queria também pegar a última pipa que caísse no campeonato, que era considerada um prêmio para as crianças afegãs. O maior prêmio.
Hassan, diante de um grupo de garotos de etnia diferente da sua, se recusa a entregar a pipa que havia capturado e prometido ao amigo Amir. Os garotos violentam Hassan e Amir presencia a cena sem intervir. O restante da história se desenrola apartir disso. E é claro, não vou contar porque senão perde a graça!!!!
Li também uma resenha crítica a respeito do livro e como dizem alguns: “Me tapei de nojo” com a opinião “dessa pessoa”. Tudo bem, crítica é crítica, opinião é opinião e cada um tem a sua. Ainda bem. Agora, se você quer criticar algo, primeiro tenha a informação na mão. Não me venha com sinopses e leituras de “orelhas de livros”!
Em sua crítica, dizia “essa pessoa” que a história é ingênua.
Não vejo nada de ingênuo em uma cena de estupro. Nada de ingênuo em crianças verem seus pais serem assassinados no meio da rua. Também não consigo analisar as situações da história com um pensamento “ocidental”. Hassan, diante da ameaça de violência iminente, poderia simplesmente ter entregue a pipa. Pronto! Simples e “ocidental” assim! Mas não sabemos até que ponto chega a fidelidade de alguém.
Muito me cansa essa mania de analisar livros. Cansa mesmo. As pessoas não lêem por prazer, lêem para poder discutir depois. Eu não. Gosto mesmo é de me deixar levar pela história, seja ela boa ou ruim.
Não me interessa se o cara toma uísque no Afeganistão, ou se desfila de Mustang entre os pobres. Não me interessa como realmente agiria uma criança que presenciasse uma cena de violência acontecendo com seu amigo. O fato é que o leitor, fica muito indignado por Amir não ter feito nada para socorrer Hassan, mesmo sabendo que a pipa era pra ele. O que realmente me interessa é o efeito da obra em mim.
Se livros fossem feitos perfeitos e se as histórias que ouvimos desde pequenos fossem perfeitas, o mundo seria um... porre. Quem não lembra e já não enjoou do “e viveram felizes para sempre”? Romances não são livros de auto-ajuda. Romances são escritos por pessoas como nós, que trazem na bagagem experiências próprias, lembranças, problemas e sonhos.
“Essa pessoa” termina ressaltando que sua crítica é mais para o público do que para o autor. (“Essa pessoa” disse público e não LEITOR, porque não se deu ao trabalho de ler o livro, simplesmente assistiu ao filme). Como eu digo, nada supera a leitura e a nossa imaginação juntas. Por que deixar que formulem as cenas que posso imaginar da minha maneira?
Pois bem, a minha “crítica” vai para “essa pessoa”. Analisar a vida e qualquer história de maneira regrada, totalmente dentro da lógica e dentro dos padrões de como escrever um texto corretamente, sem cair em contradição, sem sair da realidade, repito, é um porre. Deixemos isso para os livros de matemática, que exigem precisão e racionalidade.
Ah se “essa pessoa” soubesse o quanto é bom, de vez em quando fugir do 1+1=2, “dar uma de louco” e porque não, fantasiar que nascem cogumelos em Marte!?
Com suas discrepâncias ou não, o livro é interessantíssimo. Emociona e faz pensar. Até onde o ser humano sacrifica alguém em prol de si? O quanto você aguenta conviver com a culpa? O que está disposto a fazer para sair da comodidade e se redimir?
Uma história cheia de emoção, de julgamentos e reflexões por parte do leitor, de culpa, de grandes surpresas e... Redenção.

Recomendo.


2 comentários:

Gui Vilanova disse...

Cris.
Esse livro deve ser MARA mesmo.
Vou querer lê-lo um dia.

Beijos.

Cris disse...

Bah Gui! Tá na mão! A hora que quiser emprestado... é só pedir. Abraço!