sexta-feira, 30 de maio de 2008

In Memorian

Sábado saí para caminhar, tirar algumas fotos por aí ( fotos do post anterior) e acabei visitando o túmulo dos meus avós, (coisa que não tenho o hábito de fazer) pois acredito que não seja preciso ver uma lápide para lembrar da falta que me fazem. Estar lá me fez refletir sobre muitas coisas.
Ali, naquele lugar sem vida, há tantas pessoas, tantas histórias, tantas saudades. Crianças, jovens, idosos, todos em um mesmo lugar. Sem distinção de classe, raça ou credo.
Percebi que
a vida é breve. Não importa se ela é interrompida aos 20 ou aos 80 anos. É breve para o neto que viveu apenas alguns anos com seus avós. Breve para quem não teve tempo de dizer o que gostaria, ou teve tempo e não disse. Breve para a mãe que teve por apenas alguns minutos o filho em seus braços e o viu partir. Breve para o filho que tinha tanto mais para viver e partilhar com seus pais.
A vida é longa. Longa para quem fica. Longa para aquele que vai seguir adiante suportando a dor, a ausência, a saudade... Para aquele que vai ter longos minutos de desespero quando a saudade bater e não for possível o conforto de um abraço ou de uma palavra.
Se parássemos para pensar que amanhã poderemos não estar mais aqui... Ou que alguém que amamos pode não estar mais entre nós... Com certeza trataríamos de esquecer as ofensas com maior rapidez. Conversaríamos mais, discutiríamos menos. Passaríamos mais tempo juntos.
Se parássemos para pensar em como a vida pode ser breve... Ou longa... Nos preocuparíamos em fazer com que o próximo sinta nossa falta
hoje. Sinta necessidade da nossa presença hoje.
É bom fazer falta a alguém. Melhor ainda é poder suprir essa falta.
Sempre pensei na falta que faria ao mundo quando morresse. Hoje, a questão é outra: A falta que faço ao mundo estando viva e perdendo tempo pensando nisso.

In Memorian: Arlindo Lautert.
Eracy Junqueira Lautert.
Texto Publicado em O Açoriano. 30.05.08

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